terça-feira, 18 de agosto de 2009

discurso sobre o nova escola (esmola)

Márcio C. Almeida
Professor e historiador
Discurso de Comte Bitencourt
Sr. Presidente Olney Botelho, Sras. e Srs. Deputados, o que me traz à tribuna neste Expediente Inicial é o fato de termos tomado conhecimento na imprensa da mensagem que deverá chegar a esta Casa – ainda hoje ou amanhã, pelo que li nos jornais O Dia e Extra –tratando da incorporação do Nova Escola aos salários dos professores públicos da rede do Estado do Rio de Janeiro. Na última quinta-feira o tema foi trazido a esta tribuna pelo líder do governo, Deputado Paulo Melo, que aqui discorreu sobre um encontro que aconteceu na quarta-feira passada no Palácio das Laranjeiras, onde o Governador Sérgio Cabral reuniu toda a área econômica do governo e as lideranças das bancadas de sustentação. Eu fui convidado para a referida reunião como Presidente da Comissão de Educação desta Casa, já que elogiei a iniciativa do Governador Sérgio Cabral. Mesmo sendo um parlamentar de bancada de oposição ao governo, o tema educação é um compromisso permanente nos meus debates na Casa e, como Presidente da Comissão Permanente de Educação do Parlamento, senti-me na obrigação de atender àquele convite, para que pudesse dar a devida contribuição num momento importante para a educação do Rio de Janeiro. Quero dividir o meu pronunciamento em duas partes, Sr. Presidente. A primeira parte diz respeito aos compromissos de campanha do Governador Sérgio Cabral. S. Exa. é autor de um compromisso de campanha assinado e postado para todos os professores da rede estadual do Rio de Janeiro. Eles receberam por escrito um documento no qual o Governador assumia compromissos com a categoria durante a eleição, sendo que dois deles eram muito marcantes.

O primeiro compromisso referia-se à reposição dos dez anos de perdas salariais. O último aumento que os professores do Rio de Janeiro receberam nos seus vencimentos se deu no ano de 1997. Em 2006, ano das eleições, contávamos dez anos, incluindo 1997 – nove anos, para ser mais preciso –, sem aumento salarial. O Governador Sérgio Cabral subscreveu um compromisso com a categoria prevendo essa reposição, que em 2007 somava algo em torno de 60%. O segundo compromisso, também desta carta, dizia respeito à incorporação do Nova Escola. O Nova Escola foi uma gratificação criada em 2000 pelo ex-Governador Garotinho, que tentava, através da produtividade da escola, dar uma compensação remuneratória para os professores – gratificação cruel, porque não alcançava nem os professores aposentados nem os pensionistas. A gratificação acaba sendo uma forma de escamotear a isonomia salarial daqueles que durante toda a sua vida prestaram relevantes serviços ao poder público, já que a gratificação só alcança os servidores ativos. O Governador Sérgio Cabral assumiu esses dois compromissos, por escrito, em campanha. Neste governo, em 2007, foi concedido um aumento de 4% para os professores e em 2008, ano passado, a Casa aprovou uma mensagem que dava 8% de aumento aos professores. É verdade que com 4% em 2007 e 8% em 2008 o governo estava acompanhando a inflação dos dois primeiros anos. Sem dúvida alguma, o Governador Sérgio Cabral pela primeira vez dá dois aumentos consecutivos, coisa que não acontecia com o magistério desde 1997. Ele dá algo em torno de 13% de aumento, repõe dessa maneira a inflação de 2007 e a inflação de 2008. O plano de carreira dos professores, Deputado Olney Botelho, é de 1990, que foi assinado pelo ex-Governador Wellington Moreira Franco. Foi um plano resultado de uma luta permanente dos professores do Estado do Rio de Janeiro para que tivesse um plano, coisa que não existia na carreira do magistério fluminense. Evidentemente que esse plano, a Lei 16.014, de janeiro de 90, se reporta a uma época que não tem mais nenhum sentido nos anos que passamos. Para o senhor ter uma idéia, a qualificação máxima de um professor do Estado, no espírito da lei atual, é a chamada pós-graduação lato sensu de 360 horas. Isso é o topo da carreira do magistério do Estado do Rio de Janeiro. É compreensivo que nos anos 70 e 80, a pós-graduação de especialização fosse um diferencial na carreira da academia; mas hoje, em pleno Século XXI, a pós-graduação na academia já se transformou numa obrigação do professor, não é mais uma diferença de qualificação. Hoje, a diferença de qualificação se dá no mestrado e no doutorado, fundamental para melhoria da qualidade do trabalho docente, da metodologia que será usada em sala, na escola, pelo conjunto dos seus profissionais. O Governador Sérgio Cabral, está tendo a coragem, tenho que reconhecer como Deputado de oposição, de encaminhar para esta Casa um novo plano de carreira do pessoal docente. Mas é fundamental que esse movimento, primeiro, não permita nenhuma perda das conquistas históricas dos professores, e que seja um adicional de novos ganhos, uma categoria, Sr. Deputado Caetano Amado, que hoje tem um salário 468 reais por mês, no início de carreira, se é que podemos chamar de salário.
Nós temos um problema sério que são os concursados tomando posse, Sr. Deputado Olney Botelho, e não assumindo as suas funções. O problema é sério. O Estado abre concurso e o concurso do magistério passou a ser nada mais do que um indicativo no currículo daquele professor, apenas para ter um indicativo de que foi bem classificado no concurso; ele faz o concurso, toma posse e não assume. Isso gera consequências dramáticas para a rede pública de Educação do Estado do Rio de Janeiro. A contribuição que demos naquela reunião, eu não conheço o conteúdo da Mensagem que chegará à Casa, o que eu tratei na reunião no Palácio Laranjeiras, na quarta-feira da semana passada, foi que o Governador deveria reconhecer a importância da qualificação na carreira do magistério. Se o Colégio Pedro II, se os Colégios de Aplicação das Universidades Públicas hoje se destacam no sistema brasileiro de Educação básica, é por que eles têm um plano de carreira que a ascensão se dá principalmente pela qualificação, pela formação na academia. Se é possível ao Pedro II ter, na maioria dos seus professores, professores com doutorado, por que não se pode tê-los na rede estadual? É só fazer um plano de carreira que incentive os seus professores a ascenderem aos níveis de qualificação e de formação, que dão um norte à carreira docente, à prática pedagógica. O que esperamos, Srs. Deputados, é que a Mensagem que deverá chegar à Casa, amanhã, garanta o que foi conquistado pelos professores até agora e possa trazer novos insumos para que essa carreira volte a ser valorizada. E a educação pública do Rio de Janeiro possa garantir um mínimo de qualidade àqueles que dela dependem. Estaremos aguardando. Que os professores do Estado do Rio de Janeiro possam, nesse movimento, ter a valorização merecida.Muito obrigado, Sr. Presidente.

Incorporação do nova escola ( esmola)

Márcio C. Almeida

Professor e historiador

O secretário de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Barbosa, acompanhado da secretária de Educação, Tereza Porto, e do secretário da Casa Civil, Regis Fichtner, anunciou nesta terça-feira (18/08) a incorporação integral, até 2015, do Nova Escola ao vencimento-base de todos os servidores da Educação. O projeto de lei já foi encaminhado à Assembleia Legislativa. Segundo Sérgio Ruy, em outubro, funcionários ativos e inativos e pensionistas – mesmo os que não recebiam a gratificação – terão R$ 100 acrescidos a seus salários. A incorporação do benefício será anual, até que seja atingido o valor máximo de R$ 217,54 para servidores de apoio (administração, conservação e serviços gerais) e R$ 435,10 para os professores. – Esse projeto é uma conquista histórica. Ao final do processo, 98,7% dos docentes que já recebem a gratificação terão ganho superior ao vencimento-base. Esse aumento vai impactar nos triênios (adicional por tempo de serviço, que concede 10% de reajuste salarial no primeiro período e cresce 5% cada três anos) e no interstício (diferença salarial entre os níveis profissionais), sendo levado integralmente para a aposentadoria – assegurou o secretário.

Tereza Porto destacou que o plano, compromisso de campanha do governador Sérgio Cabral, visa atender principalmente os inativos e os mais de 18 mil professores convocados pela atual gestão, que não recebiam o abono. Para cumprir o objetivo, foi preciso balancear a despesa, preservando o equilíbrio financeiro do RioPrevidência, já que a gratificação não era paga aos inativos e pensionistas da Educação. A incorporação do benefício vai gerar despesa adicional de mais de R$ 48 milhões ao órgão. Com os ativos, serão gastos mais R$ 30 milhões. Devido ao volume de gastos, a Secretaria programa bastante amplo de formação contínua do professor e percebemos que os funcionários do magistério do Estado têm vontade de estudar e evoluir na profissão – garantiu Tereza Porto. Servidores inativos e pensionistas terão que comprovar que a especialização foi adquirida ainda no exercício da função. Segundo o secretário Regis Fichtner, a bonificação resgata o ompromisso inicial do Nova Escola, de estimular a formação continuada do profissional. - A gratificação foi concebida para recompensar os funcionários por seu desempenho, de acordo com avaliações anuais. No governo anterior, o sistema foi deturpado, quando o Estado suspendeu os testes, mas continuou pagando o abono - declarou. Outra novidade é a ajuda de custo de R$ 300 que será concedida aos inspetores escolares ativos. Para Tereza Porto, essa é a forma de compensar as despesas com locomoção e as horas a mais de trabalho – apesar de se encaixarem na mesma categoria no quadro, docentes têm carga horário de 16 a 22 horas, enquanto os inspetores cumprem 25 horas. A incorporação do Nova Escola vai beneficiar cerca de 165 mil servidores estaduais, dos quais 75.920 são professores ativos e 52.267, inativos, 17.076 funcionários de apoio ativos e 12.131 inativos, além de 7.355 pensionistas. A secretaria de Planejamento optou por reduzir o interstício – a cada 5 anos, os profissionais da área são promovidos e recebem o aumento – de 12% para 7,5%.
A estimativa é que, até dezembro de 2015, a despesa acumulada seja de R$ 3,4 bilhões. Sem o reajuste, o valor chegaria a mais de R$ 6,8 bilhões. Preocupado em incentivar a formação continuada do quadro do magistério, o governo também vai instituir um adicional de qualificação entre R$ 210 e R$ 840, que será concedido a professores que tenham grau de mestre ou doutor. O valor também será mantido em casos de aposentadoria, mas não será incorporado ao vencimento.

Artigo referente a reposição

Márcio C. Almeida

Professor e historiador

Art: 32 da LDB

Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos.
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino.
§ 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.
§ 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.
§ 5o O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente, observada a produção e distribuição de material didático adequado. (Incluído pela Lei nº 11.525, de 2007).
Fonte: lei de diretrizes e bases da educação nº 9.394/96 - seção III do ensino fundamental.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Notícias sobre o nova escola

Márcio C. Almeida
Professor e historiador

Educação – RJ
O governo do Estado vai incorporar este ano R$ 435 aos salários de 93 mil servidores ativos e 64 mil inativos da Secretaria de Educação, referentes à gratificação do Nova Escola, criada no governo Garotinho e posteriormente cancelada. Em contrapartida, vai alterar a lei que regulamenta os vencimentos do magistério, que determina o interstício (hierarquia) de 12% entre o vencimento básico de cada nível da carreira. No processo de incorporação, que será em parcelas, o governo acabará com a hierarquia. Esta foi a fórmula encontrada para concretizar uma das principais promessas do governador Sérgio Cabral. Se mantivesse o interstício, o Estado não teria condições de pagar a gratificação, já que ela poderia chegar a R$ 1 mil para quem está no topo da carreira. Outro ponto importante é o fato de os inativos também terem direito à bonificação. O impacto no Rio Previdência, por exemplo, será de 100%, pois os servidores perdiam o Nova Escola quando se aposentavam. Segundo estudos da Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão, a folha de pagamento terá impacto de R$ 650 milhões ao término da incorporação do Nova Escola, incluindo o aumento de outros benefícios, como triênios, que são calculados de acordo com o vencimento básico do servidor. O projeto de lei que vai determinar a incorporação e modificar os critérios de remuneração será enviado ainda este mês para a Alerj. A proposta é conceder a primeira parcela no contracheque de setembro, que é pago em outubro, mesmo período que os servidores da área de Segurança Pública deverão receber o reajuste salarial deste ano. O Estado defende que a incorporação do Nova Escola será o maior benefício pago à categoria nos últimos anos. Com o anúncio da incorporação da gratificação Nova Escola ainda este ano, é possível que os servidores da Educação não recebam o reajuste que está previsto para setembro, já que o Executivo optou por pagar o máximo da gratificação concedida atualmente, que varia entre R$ 100 e R$ 435. Com a determinação, os professores e profissionais de apoio, sem exceção, receberão a incorporação.
Fonte do texto: o Dia online/educação.
Tabela de vencimentos

Esta tabela é o que O Dia publicou sem fim do interstício e com a gratificação de 500 reais:
NIVEL 1: DE 484,10 PARA 884,10
NIVEL 2: DE 542,19 PARA 990,19
NIVEL 3: DE 607,28 PARA 1109,01
NIVEL 4: DE 680,15 PARA 1242,09
NIVEL 5: DE 761,77 PARA 1391,14
NIVEL 6: DE 853,18 PARA 1558,07
NIVEL 7: DE 955,56 PARA 1745,03
NIVEL 8: DE 1070,24 PARA 1954,43
NIVEL 9: DE 1198,67 PARA 2188,96

Se for aprovado o fim do interstício (hierarquia) dos 12 % entre os níveis:
NIVEL 1: DE 484,10 PARA 919,10
NIVEL 2: DE 542,19 PARA 977,19
NIVEL 3: DE 607,28 PARA 1042,28
NIVEL 4: DE 680,15 PARA 1115,15
NIVEL 5: DE 761,77 PARA 1196,77
NIVEL 6: DE 853,18 PARA 1288,18
NIVEL 7: DE 955,56 PARA 1390,56
NIVEL 8: DE 1070,24 PARA 1505,24
NIVEL 9: DE 1198,67 PARA 1633,67

Mantendo o Interstício entre os níveis do jeito que temos hoje:
NIVEL 1: DE 484,10 PARA 919,10
NIVEL 2: DE 542,19 PARA 1029,38
NIVEL 3: DE 607,28 PARA 1152,91
NIVEL 4: DE 680,15 PARA 1291,26
NIVEL 5: DE 761,77 PARA 1446,21
NIVEL 6: DE 853,18 PARA 1619,76
NIVEL 7: DE 955,56 PARA 1814,13
NIVEL 8: DE 1070,24 PARA 2031,86
NIVEL 9: DE 1198,67 PARA 2275,68
Fonte das tabelas: comunidade professores do estado - RJ/orkut.

sábado, 1 de agosto de 2009

O professor morde a realidade

Márcio C. Almeida
Professor e historiador.
O motivo deste texto ser o primeiro a ser publicado no paidéia educacional é simplesmente pelo desabafo explicito no mesmo, escrito pelo filósofo, professor e porque não dizer militante radical da educação Paulo Ghiraldelli Jr. é uma homenagem feita a você caro professor tão desrespeitado em sua prática cotidiana por pais, alunos, mídia, sociedade e principalmente governantes, este texto foi escrito três dias antes do dia do professor no ano de 2008 e ele deixa uma coisa, governantes, secretários, ministros da educação e etc passam, mas nós professores não, sempre estaremos vivos no imaginário de todos os alunos que passaram em nosssas mãos, estaremos sempre com eles em vida e na imortalidade.
OBS:Os créditos do texto publicado encontra -se ao final do mesmo.
O professor é um maníaco ou não é nada. O professor é um alienador ou não serve. Essas duas normas precisam ser observadas, caso contrário, não temos educação.
O professor é um maníaco, pois entra ministro da educação e sai ministro, entra secretário e sai secretário, entra governo e sai governo e nada melhora a condição de trabalho e salário do professor, mas ele continua lá, firme, com mania de ensinar.
O professor é um alienador, pois ele precisa alienar as crianças e jovens de uma situação de “monólogo” para vinculá-los a uma situação de diálogo; deve fazer os estudantes atravessar a ponte do saber que possuem para entrar no ambiente dos saberes que a cultura universal abriga. E isso, a despeito das “pedagogias descabeladas” que algum novo burocrata da educação quer lhe enfiar goela abaixo.
Essa postura de maníaco e de alienador é que garante ao bom professor que ele resista à campanha de difamação que criam contra ele, exatamente quando divulgam pesquisas dizendo que ele é mal formado, sem divulgar junto disso sua história: quanto é seu salário, em que condições ele se formou e como que ele consegue trabalhar na escola pública abandonada pelo Estado. Aliás, o Estado só aparece para jogar trabalho burocrático sobre ele, e fingir que lhe dá bônus, quando apenas cria mecanismos de falsa premiação que, na verdade, são mecanismos de punição por faltas não cometidas.
Politicamente o professor enfrenta um governo federal que transformou o piso salarial em teto, em algumas regiões, e em outras apenas colocou um piso para municípios sem recursos. Cultural e ideologicamente o professor enfrenta a Revista Veja, que visa destruir seus heróis, como tem tentado fazer – felizmente sem êxito – com Paulo Freire, ou simplesmente colocar uma campanha para abaixar seu salário, dizendo que salário não melhora a condição intelectual do professor.
Na parte técnica, tem de enfrentar tipos como Gilberto Dimenstein, que parecem bem intencionados, mas que “não sabem das coisas”. Por esses dias o jornalista divulgou uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas (encomendada pelo Grupo Positivo?) dizendo que os professores não sabem ensinar matemática, e que isso era devido à falta de “metodologia” nos cursos de pedagogia. Ora, nós todos sabemos que o problema do ensino de matemática e ciências não é este, mas é, sim, um velho drama: a cultura brasileira não valoriza entre as crianças esse tipo de saber, e joga para o magistério – por uma série de fatores – os que menos gostam dessas disciplinas, ou melhor, os que menos gostam da cultura em geral.
Novamente, a questão salarial é o peso central, que faz com que o magistério tenha gente menos apta. Melhorando salários, melhoramos o nosso exército de professores. É assim em todo e qualquer país. Pedagogia é algo que só vinga se os professores ganham bem e são bem formados. Fora disso, a pedagogia tem muito pouco a fazer. Aliás, quanto a isso, nem mesmo a “pedagogia de Paulo Freire” pode lutar. Quando Freire pensou em uma pedagogia eficaz mesmo em condições de pobreza, ele a imaginou motivada por uma situação política de renovação ou revolução, mas não no contexto do marasmo político.
Nessa luta cotidiana, o professor que está na sala de aula enfrenta a violência. Há dados que mostram que 80% dos professores do Estado de São Paulo já foram agredidos ao menos uma vez em sala de aula – agredidos fisicamente! Por alunos!
Mas, a despeito disso tudo, o professor continua seu trabalho, pois é maníaco. Ele aliena, pois quer fazer a educação se efetivar segundo a etimologia da palavra, que tem a ver com “puxar pelos cabelos”, arrancando o aluno de uma situação para elevá-lo para outra, em uma acepção, e também tem a ver com “promover o que há no interior do aluno”, em outra acepção – pois a palavra educação vem de educare e educere.
Neste dia do professor aponto para cada herói da sala de aula no Brasil e digo: vocês devem continuar, pois o ministro e a mídia passam, e vocês sempre ficarão. Vocês mordem a realidade, os outros, seus detratores, mordem a si mesmos.
Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo CEFA, centro de estudos em filosofia americana http://www.filosofia.pro.br/

Sejam bem vindos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Márcio C. Almeida

Professor e historiador.

Olá a todos que visitam o paidéia educacional, este blog tem o objetivo de divulgar e discutir todos os assuntos relacionados a educação, buscando ser um veículo a mais de pesquisa, informação e manifesto dos professores e de todos aqueles que lutam, militam e principalmente sonham com uma educação digna a todos o seres humanos, esta que tem por objetivo promover uma transformação integral em toda a humanidade, este que foi sonho de todos os filósofos e pensadores da educação, sejam bem vindos mais uma vez ao paidéia educacional, um abraço a todos os visitantes.